O Que é o Movimento Black Money e Sua Influência no Empreendedorismo e Representatividade

Black Money e Sua Influência no Empreendedorismo e Representatividade
Aprenda sobre o Black Money e descubra como o movimento pode transformar a realidade do empreendedorismo, representatividade e economia.

👇🏾 O que você verá neste artigo:

Que o dinheiro movimenta estruturas já sabemos, mas ao contrário do que se vende por aí, o poder de consumo e de investimento está muito longe de ser exclusividade de uma única parcela da sociedade. O Black Money vem para comprovar isso.

Vamos compreender o que é esse movimento e como ele pode transformar o empreendedorismo e gerar um impacto econômico positivo.

O que é Black Money?

Antes de mais nada, ao contrário do que o racismo internalizado pela língua portuguesa mostra, Black Money ou dinheiro negro, não está relacionado a algo pejorativo.

Quando falamos em black money, estamos falando em um grande movimento que estimula a economia entre pessoas negras.

Do mesmo modo, ao longo da história podemos perceber o fortalecimento econômico de diversas comunidades, como a asiática e judaica, por exemplo.

O black money tem a mesma intenção, com foco em investir no consumo de produtos e serviços produzidos e comercializados por pessoas negras.

Isso faz com que o dinheiro de uma parte da população que é crucial para o desenvolvimento econômico do país circule entre ela mesma, fortalecendo a criação e potencialização de afroempreendimentos.

Como surgiu o movimento?

Com um nome em inglês, é comum remeter o Black Money como uma prática que nasceu nos Estados Unidos. Por mais que tenha sido lá que se popularizou, esse ideal faz parte de um ensinamento ancestral.

Foi por causa de Marcus Garvey, ativista Jamaicano e um dos maiores nomes do movimento negro, que tudo isso começou ainda no século 20.

Em um grande movimento de retorno à Africa, Garvey considerava muito importante que a população negra ao redor do mundo investisse em si e produzisse riquezas próprias.

Marcus Garvey
Marcus Garvey, ativista Jamaicano e um dos nomes mais importantes do Movimento Negro ao redor do mundo.

 

Indo contra um sistema segregacionista e seguindo os pensamentos do Jamaicano, os negros dos Estados Unidos em um período pós Apartheid conseguiram se fortalecer enquanto comunidade. Ou seja, valorizando os negócios de outras pessoas negras e a necessidade de fazer o dinheiro circular entre eles.

Com a criação de seus próprios empreendimentos e o aprendizado sobre valorizá-los, o fundamento do Black Money se manteve e se mantém vivo. Possibilitando que atualmente, negros e negras de outros países que possuem uma população negra expressiva possam se referenciar.

Qual a importância do Black Money?

Sabemos que a população negra, segundo pesquisa do IBGE, representa mais de 56% da população brasileira. E isso reflete na economia do país, afinal, nós injetamos cerca de 1,7 trilhão de reais por anosegundo o Instituto Locomotiva.

Mesmo sendo maioria do país e apresentando um poder de compra efetivo, seguimos não nos vendo representados, seja politicamente ou economicamente falando.

Além disso, por mais que o poder de compra também nos pertença e que garantir o bem viver da população negra também é garantir um bom dinheiro investido na economia do país, o foco não somos nós.

Alguns dados demonstram que a nossa realidade financeira é bem desigual se comparada com a população branca. Mas não chocam, afinal o Brasil é o segundo colocado no ranking de concentração de renda. Apenas 1% concentra 28,3% da renda total.

Fatores como esses, somados ao racismo estrutural, negligenciam a potência econômica da população negra e isso interfere diretamente em nossa realidade.

Se a maioria da população periférica é negra e as favelas brasileiras movimentam 119,8 bilhões de reais por ano, o que nos coloca nos piores índices econômicos? O Black Money estimula a mudança desse cenário.

Empreender é para todos?

Os dados não mentem, segundo pesquisa do SEBRAEsomos 51% dos empreendedores brasileiros, mas nossos negócios não são tão lucrativos quanto os de pessoas brancas.

Isso é facilmente explicado pela forma de empreender, seja por oportunidade ou por necessidade, que é o caso da maioria dos empreendedores negros.

Quando não temos a oportunidade de planejar nossos negócios, desenvolvendo competências técnicas e uma organização financeira, as chances de prosperar diminuem drasticamente.

Ou seja, isso acontece porque uma das faces do racismo estrutural que impede a criação de oportunidades, faz com que negras e negros também não se sintam capazes de empreender, por exemplo.

No Brasil, cerca de 49% das mulheres negras que começam a empreender fazem isso por necessidade, motivadas pelo desemprego e pela dificuldade de acesso ao mercado de trabalho. Como resultado, isso reflete financeiramente, fazendo com que elas recebam cerca da metade do rendimento mensal de uma mulher branca empreendedora.

Pensando em ampliar seus negócios, o afroempreendedor muitas vezes tem o crédito recusado, enfrentando muitas dificuldades para conseguir financiamentos.

Uma pesquisa da SBA (Small Business Administration) mostra que o crédito para afroempreendedores no Brasil é 3 vezes mais negado, se comparado aos pedidos de empreendedores brancos na mesma tomada de crédito.

Você já parou para pensar em qual perfil você lembra quando falamos em empreendedorismo? No estereótipo construído, o perfil empreendedor é exclusivo de uma parte da população. O homem branco representa o imaginário social.

Mas o ato de empreender é muito mais antigo e cultural do que a gente pode imaginar e conta uma parte da história da população negra.

O Black Money é possível e existe há décadas

A expressão popular “ninguém inventa a roda” também se faz presente nesse assunto. O ato de empreender e gerar renda entre os negros não é nada novo, já faz parte da realidade há muito tempo.

Talvez esse tipo de recorte não tenha sido falado no livro de história, no entanto, para sobreviver a um período escravocrata e/ou conquistar a tão sonhada alforria, muitos escravizados e ex-escravizados trabalhavam com comércio.

Como é o caso das ganhadeiras, que tiveram suas histórias famosas após o enredo da Escola de Samba Viradouro, por exemplo. Quitandeiras, baianas de acarajé, costureiras, entre outros tantos negócios próprios que possibilitaram que homens e mulheres negras conquistassem sua liberdade e seguissem empreendendo ao longo das décadas.

“Temos 131 anos pós-período abolição e, se tem algo que fez com que a população negra sobrevivesse ao racismo estruturado e, muitas vezes, institucionalizado, foi o ato de empreender. Empreendemos há 13 décadas de forma potente, mesmo diante de nossas vulnerabilidades.” — Adriana Barbosa, diretora executiva da PretaHub

O black money já existe há décadas
Baiana vendendo comida no tabuleiro em 1912. (Foto: Voltaire Fraga/Reprodução)

 

A população negra não só contribui para a cultura do país, mas também para gerar renda, negócios e investimentos.

Preto e dinheiro não são palavras rivais

Não é preciso ir muito longe para identificar o estereótipo do negro construído pela sociedade.

Pelo contrário, quando pensamos no período escravocrata do Brasil, conseguimos destacar o fato de que por mais que houve uma suposta abolição, não houve nenhuma politica pública que garantisse que a população negra tivesse acesso a educação, trabalho e qualidade de vida.

As novelas e a industria cinematográfica, ao longo da história, se encarregaram de representar o negro como subalterno e marginalizado. Isso alimentou o imaginário de que pessoas negras não possuem riquezas, mas acima disso, não possuem controle econômico.

A organização financeira é uma das ferramentas para emancipação. Com ela, a população negra pode avançar e deixar de empreender apenas por necessidade, mas também como por oportunidade.

Nesse sentido, algumas criadoras de conteúdo negras que discutem finanças, como é o caso de Nath Finanças e Amanda Dias, do Grana Preta, decidiram utilizar os meios digitais, como o Instagram, por exemplo, para quebrar essa barreira. Compartilham conhecimento e auxiliam pessoas negras a lidarem melhor com o dinheiro, seja ele pessoal ou fruto do seu próprio negócio.

Quando analisamos os dados econômicos da população negra, percebemos que ao contrário do que dizem, somos um povo fortalecido economicamente, mas completamente desvalorizado.

O Movimento Black Money no Brasil

Nina Silva, uma das fundadoras do movimento aqui no país, foi considerada uma das 100 pessoas afrodescendentes com menos de 40 anos mais influentes pela Organização das Nações Unidas (ONU) e uma das mulheres mais poderosas do Brasil pela Forbes, explica quais são os objetivos principais:

“Incentivamos que a população negra movimente e mantenha os nossos capitais e nossas riquezas por mais tempo entre a comunidade negra. Nosso objetivo é conseguir que pelo menos 30% do que as pessoas negras circulam na economia no Brasil retornem pra dentro da comunidade e gerem empregabilidade, negócios e, de forma complementar, criem nossas próprias instituições.”

Com um projeto inovador, Nina Silva e Alan Soares fundaram o Movimento Black Money (MBM) em 2017, fortalecendo economicamente e potencializando empreendimentos negros. A ideia de autonomia preta na era digital é colocada em prática.

 

Por isso, o Black Money vem para transformar. Buscando possibilidades de financiar o trabalho de um empreendedor negro e incentivando o consumo e o repasse de dinheiro entre pessoas negras, de maneira consciente.

Pensando na inovação digital, o movimento faz uso da tecnologia para alcançar mais pessoas e conseguir tornar realidade esse ecossistema do empreendedorismo negro no Brasil, seja por meio:

  • Financeiro, com o D’Black Bank, buscando criar um novo conceito financeiro para a população negra;
  • Educacional, com o Afreektech, promovendo cursos para afroempreendedores;
  • Comercial, com o Mercado Black Money, marketplace do movimento;
  • Comunicação, disseminando conteúdos que agregam valor sobre o assunto.

Em outras palavras, o movimento prega que é necessário a representatividade nas marcas para gerar consumo e que comprar de empreendedores negros fortalece a comunidade.

O que as empresas ganham com isso?

Uma boa estratégia de marketing passa por muitos setores e com isso, pretende alcançar seu público de uma maneira que apresente bons resultados.

Uma empresa deve focar em ser autoridade na área, mas principalmente, em promover uma boa experiência a quem consumir seus produtos.

Quando falamos em bons resultados, estamos também falando em dinheiro.

Mas da mesma forma que isso pode ser positivo, quando não há preocupação com o fato de que pessoas negras não se sentem representadas por marcas, as empresas basicamente estão afirmando que não se importam em perder dinheiro.

Um dos pilares do Black Money se resume em uma frase já conhecida quando o assunto é representatividade:

“Se eu não me vejo, eu não compro!”

Sendo assim, muitas empresas ao não romper com um padrão hegemônico do marketing, perdem a oportunidade de criar e pensar estratégias que possam dialogar conosco.

Pensando nisso, a ideia de consumir apenas de empreendedores negros é para além de circular o dinheiro dentro da própria comunidade. É garantir que a representatividade seja real do início ao fim do processo.

O afroempreendedorismo como potencial

Com a facilidade que a tecnologia possibilita, a informação consegue alcançar muitos lugares, aumentando o número de pessoas negras que conhecem o Black Money e praticam seus ideais.

“Há 30 anos ninguém acreditava nisso. Hoje, os negros estão começando a ter consciência de que o bolso pode mudar politicamente a situação, decidindo comprar de pessoas que se parecem com eles.” — Paulo Rogério Nunes, fundador da Vale Do Dendê

O afroempreendedorismo se torna cada dia mais potente no Brasil. Nós estamos a frente dos negócios, criando e gerindo espaços e oportunidades.

Isso pode ser chamado de um boicote ao sistema que coloca pessoas negras muito longe dos cargos de liderança. Nesse movimento, negras e negros são protagonistas de seus próprios investimentos e são representados no mercado.

 

Compreender o potencial da população negra na geração de renda não está somente ligado ao valor investido anualmente na economia do país. O afroempreendedor gera empregos para outras pessoas negras, valorizando a mão de obra e incentivando o enaltecimento da presença negra no mercado de trabalho.

Fenty Beauty, uma aposta de Rihanna que deu certo

Com cerca de 280 prêmios recebidos e um dos maiores nomes da música mundial, Rihanna acumula, segundo a revista Forbes, uma fortuna de 600 milhões de dólares.

Mas engana-se quem acredita que a riqueza acumulada é reflexo apenas do sucesso enquanto cantora. Com um perfil empreendedor bem definido, Rihanna tem se distanciado cada vez mais da ideia de representar outras marcas.

Rihanna e exposição dos produtos Fenty Beauty
Rihanna criou a Fenty Beauty, marca de maquiagens com foco em representatividade.

 

Levando o seu conceito de cosméticos ao mundo, ela conectou a ideia de empreendedorismo, representatividade e black money.

Com uma linha de maquiagens que contempla todos os tipos de mulheres, se destacou no segmento ao oferecer mais de 40 tons de base, mudando a realidade que até então era resumida em poucos tons, sobretudo aos de pele negra que quase não eram vistos nas prateleiras.

“A Fenty Beauty foi criada para mulheres de todos os matizes, personalidades, atitudes, culturas e raças. Queria que todas se sentissem incluídas. Essa é a verdadeira razão pela qual fiz esta linha.” — Rihanna

Ou seja, Rihanna não só lançou uma marca que se destacou, tanto em publicidade quanto em faturamento (estima-se que apenas nos primeiros 15 meses no mercado, a Fenty Beauty gerou uma receita de 570 milhões de dólares) como mudou uma estrutura que por muito tempo não pensou na diversidade que existe, focando apenas em maquiagens para mulheres brancas.

Outras fontes de conhecimento sobre Black Money

A importância da população negra na economia do país e no ato de empreender é algo evidente em nossa sociedade, os dados e a nossa realidade demonstram isso.

Seguir garantindo que o dinheiro investido circule entre nós e que nosso consumo seja direcionado a marcas que nos representem é essencial e fortalecedor.

Por esse motivo, separei alguns conteúdos para você aprender ainda mais sobre o assunto: ✌🏾

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Este conteúdo foi escrito por
Maria Carolina

Maria Carolina

Passou pela história e pela pedagogia, mas foi no Marketing que se encontrou. Do pé que brotou Maria, nasceu Oyá Denan. Mulher negra, Ìyàwó, tem pimenta na boca, dendê nas veias e escolheu ser vento sul em Salvador. Apaixonada por poesia, escreve para que suas palavras ecoem.

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